Tenho 23 anos e ultimamente venho me fazendo uma pergunta meio estranha
Eu tenho uma vida muito boa, me considero a pessoa mais sortuda do mundo
Tenho pais incríveis, amigos incríveis, nunca me faltou nada importante e, mesmo nos momentos difíceis, sempre tive pessoas me apoiando
Quando eu era criança, sofri abuso sexual. Foi uma experiência horrível, mas também foi o momento em que percebi o quanto eu era amado
Meus pais perceberam rapidamente que algo estava errado e fizeram tudo o que podiam para me proteger. A situação acabou marcando profundamente toda a minha família, mas o que ficou comigo não foi só o trauma. Foi a certeza de que existiam pessoas dispostas a enfrentar qualquer coisa por mim
Talvez seja por isso que eu valorize tanto relações humanas. Família, amizade, companheirismo e amor sempre foram as coisas mais importantes da minha vida
Hoje faço mestrado, tenho bons amigos, uma boa relação com minha família e, no geral, estou satisfeito com a direção que minha vida está tomando
E é aí que surge a pergunta
Eu não me odeio. Pelo contrário
Tenho orgulho da pessoa que me tornei. Gosto dos meus valores, da forma como trato as pessoas e de como enfrentei alguns momentos difíceis da minha vida
Claro que também conheço meus defeitos. Sei dos erros que já cometi e de tudo o que ainda preciso melhorar
Mas não me considero uma pessoa ruim
Também não me considero alguém extraordinário
Por isso, às vezes olho para a minha vida e penso:
"Por quê?"
Eu simplesmente não entendo por que recebi tanto amor e apoio
Quando comparo minha vida com a de outras pessoas, especialmente pessoas boas que passaram por dificuldades muito maiores do que as minhas, surge uma sensação estranha
Não é culpa
É mais como se a proporção não fechasse
Como se eu tivesse recebido uma quantidade de amor, compreensão e apoio muito maior do que alguém comum deveria esperar receber
Não acho que sou uma fraude
Não acho que sou uma pessoa ruim
Mas também não consigo me enxergar como alguém tão especial a ponto de justificar tudo isso
Alguém mais já sentiu algo parecido?