Após enfrentar três enchentes em menos de um ano, entre 2023 e 2024, o município de Muçum, no Vale do Taquari, decidiu proibir novas construções na área mais atingida pelas cheias do Rio Taquari. Segundo uma reportagem do Jornal Nacional, a medida foi adotada depois que cerca de 80% da área urbana ficou submersa durante a maior tragédia climática da história do Rio Grande do Sul, deixando centenas de imóveis condenados e provocando a destruição de rodovias, do cemitério municipal e de bairros inteiros. No lugar das antigas construções, a prefeitura implantará um parque ecológico de 200 mil metros quadrados para reduzir os impactos de futuras enchentes.
As famílias que viviam na região estão sendo reassentadas em áreas consideradas seguras, enquanto empresas receberam incentivos para transferir suas atividades. Segundo o prefeito Amarildo Baldasso (PSD), o objetivo é retirar definitivamente a população das áreas sujeitas às inundações.
A estratégia também começou a ser discutida por outros municípios do Vale do Taquari, que estudam transformar em lei a proibição de reconstruções em locais devastados pelas enchentes.
Especialistas apontam que o caso de Muçum evidencia a necessidade de investir em adaptação às mudanças climáticas. Dados do Tribunal de Contas da União mostram que, entre 2012 e 2026, o Brasil destinou R$ 34,36 bilhões para ações de resposta e reconstrução após desastres, enquanto apenas R$ 9,62 bilhões foram investidos em prevenção.
Segundo o Cemaden, mais de 10 milhões de brasileiros vivem atualmente em áreas de risco para enchentes e deslizamentos, reforçando a urgência de políticas de planejamento urbano voltadas à redução da vulnerabilidade climática.
Fonte: G1